O que é ESG e por que é que isso lhe interessa?

Os representantes empresariais deparam-se cada vez mais com o termo ESG. No entanto, nem sempre sabem o que esta sigla realmente significa. Trata-se simplesmente de um conjunto de critérios que permite avaliar em que medida uma empresa é responsável do ponto de vista social, ambiental e corporativo. ESG significa Ambiental, Social e Governança. Não se trata de uma nova tendência, mas sim das crescentes expectativas do mercado, dos consumidores e dos investidores em relação às empresas que pretendem construir o seu valor a longo prazo.

Ambiental – negócios conduzidos com respeito pelas questões ambientais. O aspeto ambiental é provavelmente o mais fácil de imaginar. Nesta área, as empresas concentram-se em minimizar o seu impacto negativo no planeta. E é aqui que começa o verdadeiro desafio para o futuro.

A seguir, abordaremos áreas em que é possível implementar medidas alinhadas com os princípios ESG de forma muito clara, para satisfação dos clientes.

Uma das mudanças mais notáveis na área do ESG diz respeito à produção e ao consumo de energia. Neste contexto, as fontes de energia renováveis assumem um papel de destaque — energia fotovoltaica, bombas de calor, biomassa e biogás.

Uma das principais tendências é a implementação de métodos de produção de energia amigos do ambiente. Em vez de dependerem exclusivamente de fontes tradicionais, cada vez mais empresas optam por instalações fotovoltaicas nos telhados dos edifícios, pela utilização de bombas de calor ou pelo investimento em turbinas eólicas. Isto não só se traduz numa poupança real nas contas, como, acima de tudo, numa redução significativa da pegada de carbono. Imagine um restaurante que serve comida deliciosa e é alimentado por energia solar – soa bem e contribui para criar uma imagem positiva.

E já que estamos a falar de gastronomia, esta é outra manifestação claramente visível das atividades ESG. Como afirma Wojciech Galeja, especialista no setor das embalagens ecológicas: os recipientes e talheres de plástico estão, aos poucos, a tornar-se uma coisa do passado. As empresas que pretendem estar na vanguarda e corresponder às expectativas dos consumidores conscientes estão a apostar em embalagens biodegradáveis, compostáveis, recicladas e até comestíveis.

Não se trata apenas de ser «ecológico», mas também de coerência com toda a filosofia do estabelecimento e de respeito pelo cliente. Por exemplo, em vez de copos de plástico descartáveis, um café pode utilizar copos feitos de polpa de celulose ou incentivar os clientes a trazerem os seus próprios termos, afirma o proprietário da Pakowanko, uma empresa que produz embalagens ecológicas.

Mas não é só isso. A Área E inclui também uma gestão eficaz dos resíduos, a redução do consumo de água, a otimização dos transportes e a redução das emissões poluentes. Todas as empresas, independentemente do setor em que operam, podem identificar áreas em que podem agir de forma mais sustentável.

Social, no sentido de sociedade

Este pilar ESG centra-se nas relações da empresa com o seu entorno – colaboradores, clientes, fornecedores e a comunidade local. Cuidar deste aspeto significa construir um capital social duradouro.

Isto implica tratar os colaboradores de forma justa, proporcionando-lhes condições de trabalho adequadas, oportunidades de desenvolvimento e uma remuneração justa. Implica também promover a diversidade e a inclusão, bem como garantir a segurança e a saúde no local de trabalho. As empresas que investem nos seus colaboradores têm menos probabilidades de sofrer rotatividade e gozam de uma melhor reputação.

A responsabilidade pelos produtos e serviços é também um elemento importante. Isto significa preocupar-se com a qualidade e a segurança, mas também com a transparência na comunicação com os clientes. Uma abordagem ética à cadeia de abastecimento está também a tornar-se cada vez mais importante – verificando se os nossos parceiros comerciais também cumprem os princípios do desenvolvimento sustentável.

O envolvimento social não deve ser menosprezado. Muitas empresas optam por apoiar iniciativas locais, instituições de caridade ou projetos educativos. Isto contribui para criar uma imagem positiva e transmitir a sensação de que a empresa é um membro ativo da comunidade.

Governança, ou governança corporativa

Este último elemento do ESG diz respeito às regras e procedimentos internos de gestão de uma empresa. É a base sobre a qual assenta toda a estrutura do negócio responsável.

A transparência e a conduta ética são fundamentais neste domínio. Isto implica uma gestão honesta, medidas anticorrupção e o cumprimento das leis e regulamentos. A diversidade nos conselhos de administração e de supervisão é igualmente importante, uma vez que se traduz frequentemente em decisões melhores e mais abrangentes.

Boas políticas de remuneração, a proteção de dados pessoais e uma gestão de riscos eficaz são outros elementos importantes da governança corporativa. As empresas com processos internos bem organizados são mais estáveis e credíveis aos olhos dos investidores e parceiros.

Por que vale a pena implementar os critérios ESG na sua empresa?

A implementação dos princípios ESG não se resume apenas ao cumprimento de requisitos, mas constitui um verdadeiro investimento no futuro da empresa. É simplesmente vantajoso a vários níveis.

Em primeiro lugar, melhora a reputação e a imagem. Os consumidores estão cada vez mais conscientes e dispostos a escolher produtos e serviços de empresas que operam de forma responsável. Os investidores, por sua vez, têm vindo a ter cada vez mais em conta os critérios ESG nas suas decisões de investimento.

Em segundo lugar, aumenta a eficiência operacional. A redução do consumo de energia, água e resíduos traduz-se frequentemente em poupanças reais.

Em terceiro lugar, um acesso mais fácil ao financiamento. Os bancos e os fundos de investimento oferecem cada vez mais condições mais favoráveis às empresas com uma boa estratégia ESG.

Em quarto lugar, atrair e reter talentos. As pessoas querem trabalhar para empresas que tenham valores e atuem de forma responsável.

O ESG já não é uma tendência, é um padrão que está lentamente a tornar-se a norma. Vale a pena analisar a sua empresa à luz destas três letras e refletir sobre onde podemos começar a agir. Pode ser uma pequena mudança, como as embalagens mencionadas acima, ou algo de maior envergadura, como a instalação de painéis solares. O importante é dar o primeiro passo.

Quem deve apresentar relatórios ESG atualmente e quem deverá fazê-lo no futuro?

A elaboração de relatórios ESG (Ambiental, Social e de Governação) é uma obrigação que se está a tornar gradualmente obrigatória para cada vez mais empresas na Polónia e na União Europeia. Os novos regulamentos da CSRD alargam radicalmente a lista de entidades sujeitas a esta obrigação, introduzindo prazos e critérios segundo os quais as empresas devem elaborar relatórios não financeiros sobre desenvolvimento sustentável.

Atualmente, as seguintes entidades são obrigadas a comunicar dados ESG:

  • As maiores empresas públicas (por exemplo, bancos, seguradoras, empresas cotadas em bolsa) que já divulgaram dados não financeiros.
  • Empresas com mais de 500 funcionários que cumpram determinados critérios financeiros (receitas superiores a 50 milhões de euros ou ativos totais superiores a 25 milhões de euros).

Nos próximos anos, a obrigação passará a aplicar-se também a:

  • A partir de 2028 (para o exercício financeiro de 2027): todas as grandes entidades que cumpram dois dos três critérios: mais de 250 trabalhadores, receitas superiores a 50 milhões de euros e ativos totais superiores a 25 milhões de euros — independentemente de estarem ou não cotadas na bolsa de valores.
  • A partir de 2029 (para o exercício de 2028): as pequenas e médias empresas cotadas na bolsa de valores, bem como as pequenas e médias entidades de interesse público, com exceção das microempresas.
  • Filiais e sucursais selecionadas de empresas internacionais e entidades que lideram grandes grupos de capital.

Todas as empresas já deveriam estar a acompanhar a entrada em vigor de novos regulamentos e a preparar-se para implementar os requisitos de reporte ESG nas suas operações.

Como iniciar o processo de elaboração de relatórios ESG?

Agora que sabemos o que é um relatório ESG e por que razão o seu papel nas empresas está a crescer rapidamente, a questão fundamental é: como iniciar eficazmente este processo na sua empresa? A elaboração deste tipo de documento é uma tarefa complexa que requer planeamento estratégico e o compromisso de recursos. Não se trata apenas de uma formalidade, mas sim de um investimento na transparência e credibilidade a longo prazo da organização.

O primeiro passo, e absolutamente fundamental, consiste emanalisar minuciosamente os requisitos regulamentares e definir as áreas relevantes para o seu negócio. Antes de começarmos a recolher dados, é essencial ter uma compreensão precisa das normas de reporte, tais como as ESRS (Normas Europeias de Relato de Sustentabilidade), que constituem a base da diretiva CSRD. Isto permitir-lhe-á identificar quais os indicadores e aspetos ESG que são fundamentais para o seu setor e modelo de negócio. É igualmente importante diagnosticar quais os dados de que já dispomos na empresa (por exemplo, em sistemas de TI, em relatórios ambientais existentes ou em políticas de RH) e quais as lacunas que precisamos de colmatar através da criação de novos processos de recolha de informação.

Seguem-se os passos essenciais para o ajudar a iniciar de forma eficaz o processo de elaboração de relatórios ESG:

  • Realizar uma avaliação dupla de materialidade. Este é um elemento central do processo. Permite-lhe determinar quais os temas ESG mais relevantes, tanto do ponto de vista do impacto da sua empresa no ambiente e na sociedade, como do ponto de vista do impacto dos fatores ESG (por exemplo, riscos climáticos, alterações regulamentares) no valor e no desempenho financeiro da empresa. Isto permitirá que o relatório se concentre nas áreas mais estratégicas para a sua organização.
  • Criar uma equipa interdisciplinar e definir claramente as funções. A elaboração de relatórios ESG requer o envolvimento de especialistas de vários departamentos – desde operações, finanças e recursos humanos até ao departamento jurídico e de comunicação. É essencial nomear um coordenador de projeto e definir com precisão as áreas de responsabilidade, a fim de garantir um fluxo de informação fluido e a recolha eficaz dos dados necessários.
  • Desenvolver uma estratégia de gestão e agregação de dados. Este é, muitas vezes, o maior desafio. É necessário implementar sistemas, procedimentos e ferramentas que permitam a recolha, verificação, agregação e arquivo eficazes dos dados ESG. Abordar estas questões numa fase inicial facilitará consideravelmente a elaboração de relatórios atuais e futuros, minimizando o risco de erros e simplificando o processo.

Exemplos de atividades ESG

  • Reduzir as emissões de CO₂: investir em tecnologias energeticamente eficientes e optar por fontes de energia renováveis para reduzir a pegada de carbono da empresa.
  • Reciclagem e redução de resíduos: implementação de programas de triagem de resíduos e redução do uso de plástico e outros materiais difíceis de reciclar.
  • Gestão eficaz da água: otimização do consumo de água, implementação de sistemas de circuito fechado e investimento em tecnologias modernas de poupança de água.
  • Política de diversidade e inclusão: promover a igualdade de oportunidades, contratar pessoas de origens diversas e combater a discriminação no local de trabalho.
  • Saúde e segurança dos colaboradores: garantir condições de trabalho seguras, formação regular e apoio à saúde física e mental.
  • Participação em iniciativas da comunidade local: apoio a projetos educativos, voluntariado dos colaboradores e assistência solidária à comunidade local.
  • Transparência e ética na gestão: introdução de um código de ética, de sistemas anticorrupção e de procedimentos transparentes de tomada de decisões.
  • Cadeia de abastecimento sustentável: exigir que os fornecedores cumpram os critérios ESG, realizar auditorias e promover práticas de compras responsáveis.
  • Desenvolvimento de produtos e serviços ecológicos: criação de produtos com menor impacto ambiental ou de serviços que promovam o desenvolvimento sustentável.
  • Criar uma cultura ESG entre os colaboradores: organizar formações e campanhas educativas e envolver a equipa na concretização de objetivos comuns de desenvolvimento sustentável.

ESG – o que é isso? (resumo)

Como se pode ver, o ESG é uma iniciativa que diz respeito às empresas no domínio do desenvolvimento sustentável. Embora afete principalmente as grandes empresas, até as pequenas e médias empresas podem fazer muito para adaptar as suas atividades aos requisitos do ESG. Isto é especialmente verdadeiro, uma vez que cada vez mais pessoas se interessam pelo tema da responsabilidade social das empresas, mesmo nas comunidades locais.